KUHN, Thomas S. – A Função do Dogma na Investigação Científica

Objetivo : Trata-se de abordagem inovadora sobre as relações existentes entre os pressupostos dogmáticos encontrados entre as diversas teorias dos pesquisadores e suas revoluções científicas, apesar de que haveria uma opinião corriqueira de que dogma e pesquisa científica não se misturam.

Noção de Dogma : do grego dokein, tem o significado de constituir qualquer pressuposto que se aceita sem discussão, como nas crenças religiosas, nos atos de fé, pela aceitação por mera via de autoridade, sem questioná-los. Ex: o dogma da Santíssima Trindade.

A Estrutura das Revoluções Científicas : é o livro clássico do Autor, no qual ele pretendeu demonstrar que o surgimento das teorias inovadoras presentes na história das ciências, como a revolução de Copérnico, de Newton, de Einstein ou da teoria quântica, representam uma ruptura diante do pensamento tradicional, e só se tornaram possíveis quando houve uma alteração nos paradigmas que sustentavam as velhas teorias

A Herança Cultural : Como criador de uma perspectiva histórico-filosófica da ciência, Thomas Kuhn procurou desenvolver uma síntese das ideias epistemológicas que circulavam entre diversos autores de seu tempo, como Alexandre Koiré, Jean Piaget, Williard Quine, que muito contribuíram na análise crítica da validade do conhecimento científico.

Noção de Paradigma : aparece em substituição ao conceito clássico de objeto da ciência, resumido em objeto material e formal, para se constituir como modelo, padrão, perspectiva, no acolhimento de novos pressupostos para explicar uma sucessão de fenômenos.

Fases das Transformações Paradigmáticas : segundo o que propõe nosso Autor, a caracterização paradigmática do pensamento científico passa pelas seguintes fases:  -a) conhecimento pré-paradigmático (disperso, confuso); -b) a ciência normal, sistematizada em determinado momento; – c) crise provocada pelo surgimento de novos aspectos; -d) inovação extraordinária, que conduz à revolução científica; e) posteriormente ocorre a repetição do ciclo.

Importância dos Pressupostos Dogmáticos : Nos estágios iniciais, qualquer formulação teórica sobre determinado grupo de fenômenos sofre a interferência de alguns princípios inovadores, aceitos sem muita discordância e que vão constituir as bases possíveis para as revoluções científicas. São os chamados puzzles (enigmas). Ex: a evolução da física clássica newtoniana para a física relativista de Einstein.

A Disseminação dos Dogmas na Comunidade Científica : resolvendo os problemas surgentes em função das novas pesquisas, os novos paradigmas vão sendo paulatinamente acolhidos pela comunidade científica, assegurando um relativo consenso, o que solidifica as novas ideias propostas. Através da educação, é assegurada a sua aceitação.

Quebra-Cabeças e Anomalias : são dois conceitos que enriquecem o pensamento do Autor, o primeiro sob a forma de aparentes contradições conceituais que os novos paradigmas terão o dever de superar; não obstante, estes quebra-cabeças poderão se transformar em anomalias, ou problemas que os novos paradigmas não conseguiram explicar.

As Crises no Conhecimento Científico : são, portanto, o resultado de anomalias não resolvidas, o que acaba por enfraquecer a coerência dos novos modelos de explicação, debilitando assim seus fundamentos (dogmas).

O Surgimento de uma Ciência Extraordinária : é o estágio caracterizado pelo dissenso imperante entre os cientistas, quando novas intuições paradigmáticas entram em disputa, com o objetivo de incluir os novos fatos observados. Contudo, um só paradigma deve prevalecer, aquele que consiga fornecer o maior número de respostas aos problemas surgentes.

Concluindo : as revoluções científicas não são verdadeiras nem falsas, mas apenas os estágios que ocorrem na evolução dos conhecimentos científicos, o que significa que há um campo infinito de perspectivas paradigmáticas, oscilando entre o dogmatismo e sua crítica, que não são necessariamente opostos, mas complementares.